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OS MEDICAMENTOS ANTROPOSÓFICOS

(Do livro de Nilo E. Gardin e Rodolfo Schleier, Medicamentos Antroposóficos Vademecum. São Paulo: Ed. João de Barro, 2009, pp. 13-14)

Quando a medicina antroposófica começou a se estruturar, houve a necessidade de que um laboratório farmacêutico atendesse às suas designações. Dessa forma, em 1921, Steiner e Wegman criaram a Weleda e os primeiros produtos medicinais antroposóficos começaram a ser produzidos. Oskar Schmiedel era o químico responsável. A sede da Weleda estabeleceu-se em Arlesheim, Suíça.

Em 1935, o químico Rudolf Hauschka iniciou os trabalhos do laboratório Wala, tendo também como base os fundamentos da Antroposofia de Steiner. Desde então, a Wala produz medicamentos para uso injetável subcutâneo, glóbulos sublinguais e produtos de uso tópico.

Em 1971, a Abnoba foi fundada na Alemanha para produzir e comercializar especificamente preparações de Viscum album. Suas pesquisas farmacêuticas são orientadas pelo método de conhecimento científico de Goethe.

Na tentativa de melhorar a eficácia dos preparados de Viscum album, membros da Verein für Leukämie and Krebstherapie (Sociedade para o Tratamento da Leucemia e Câncer) desenvolveram em 1972 o medicamento Helixor, liderados pelos médicos Dietrich Bóie e Maria Günczler em Stuttgart, Alemanha. Como a demanda foi crescente, em 1975 foi fundado o laboratório Helixor, que atualmente também produz Helleborus niger.

Na cidade austríaca de Pörtschach, desde 1980, o laboratório Novipharm dedica-se à produção de Viscum (Isorel) a partir do trabalho de Herta, Rudolf, and Elisabeth Weiss.

No Brasil, o casal de farmacêuticos Marilda e Flávio Milanese desenvolveu a farmácia magistral Sirimim a partir de 1998, que produz novos medicamentos antroposóficos através do éter químico. Seus medicamentos não usam álcool, mas sim glicerina a 70% para tornar sua assimilação mais fácil, além de glóbulos e cremes.

Todos os medicamentos antroposóficos são obtidos da natureza, a partir de substâncias minerais, vegetais ou animais. Não há medicamento antroposófico sintético, embora o médico antroposófico possa recorrer aos chamados medicamentos alopáticos sintéticos quando necessário. Tampouco se concebe um medicamento antroposófico obtido de uma planta geneticamente modificada, ou que em seu processo de cultivo foram usados agrotóxicos, fertilizantes químicos ou herbicidas sintéticos.

A razão disso está na visão antroposófica de que os processos fisiológicos ou patológicos do ser humano encontram na natureza algum processo correlato ou oposto. De acordo com cada caso, a medicina antroposófica indicará um medicamento para estimular no organismo humano uma reação que levará à cura ou alívio da enfermidade. O medicamento antroposófico, portanto, estimula as forças auto-curativas do organismo.

Um medicamento antroposófico pode agir, de acordo com sua composição, de três modos:

(1) estimulando um processo contrário à doença – esta é a maneira alopática de ação, por exemplo, para uma inflamação pode-se usar uma planta que estimule no organismo suas atividades anti-inflamatórias;

(2) agindo de modo igual à doença e provocando uma reação contrária maior do organismo no sentido da cura – princípio homeopático de ação: aquilo que provoca, também pode curar;

(3) proporcionando um modelo orientador para o órgão ou sistema doente, levando à sua atividade sadia – este princípio é exclusivo dos medicamentos antroposóficos.

Muitos medicamentos antroposóficos são dinamizados, ou seja, diluídos e agitados ritmicamente, um processo farmacêutico que ‘desperta’ na substância seu potencial curativo, que antes estava ‘adormecido’. Há, também, remédios antroposóficos feitos a partir de tinturas de plantas, extratos secos e chás, ou seja, medicamentos não dinamizados.

Existe grande preocupação com a qualidade da substância que será usada para se fazer o medicamento antroposófico, pois se entende que a substância é a fase final de um processo. Então, o processo precisa ser tão valorizado quanto seu produto final. O modo de cultivo (orgânico e, preferencialmente, biodinâmico) e o momento mais adequado tanto para semeadura, como para colheita – de acordo com seu potencial terapêutico – é fundamental para medicamentos de origem vegetal.

Entre o mineral natural e o derivado de uma reação química sintética – ainda que ambos tenham a mesma composição – o mineral natural será o escolhido para compor um medicamento antroposófico justamente porque ele trará consigo todo o processo natural que culminou na substância mineral.

Para os metais, a dinamização é feita levando-se em consideração a fase do ano, pelas influências que a Terra sofre dos planetas, Sol e Lua.

As principais vias de administração dos medicamentos antroposóficos são a oral, a injetável subcutânea e a tópica (compressas externas de pomadas, cremes, tinturas, óleos e infusões). De acordo com a trimembração do ser humano – um dos fundamentos da medicina antroposófica – e o que se pretende estimular, o médico optará por uma ou outra via.

Oficialmente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) reconhece os medicamentos antroposóficos como uma categoria de medicamentos dinamizados, e a farmácia antroposófica é reconhecida pelo Conselho Federal de Farmácia.

A instituição que congrega os farmacêuticos antroposóficos no Brasil é a Farmantropo (Associação Brasileira de Farmácia Antroposófica), fundada em 2005 e filiada à Associação Internacional de Farmacêuticos Antroposóficos (IAAP), sediada em Dornach, Suíça.