PRIMEIRO HOSPITAL ANTROPOSÓFICO DAS AMÉRICAS

Num bonito sábado ensolarado, em Matias Barbosa, interior de Minas Gerais, no dia 16 Fevereiro de 2008, contando entre 300 a 400 pessoas, entre as quais Michaela Gloeckler, diretora da Seção Médica do Goetheanum, na Suíça, Ingrid Boehringer, secretária geral da Sociedade Antroposófica, Dra Nise Yamagush, representando a Fundação Mahle, Francisco Braz, diretor da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica, Helidéa, representando a Secretaria de Saúde de Minas (SES-MG), Joaquim, Prefeito de Matias Barbosa, deputados, vereadores e demais autoridades civis, militares e eclesiásticas da cidade e região, fez-se a colocação da pedra fundamental (um pentadodecaedro) do Hospital Antroposófico de Matias Barbosa (HA-MB), cidade de 15.000 habitantes, a 10 km de Juiz de Fora (20 minutos de carro) e a 130 km do Rio de Janeiro (2 horas de carro).

Historicamente Matias Barbosa representava o pórtico da interiorização brasileira, nesta Estrada Real, do caminho do litoral adentrando às Minas Gerais, rica em ouro e diamante. Foi a primeira guardição militar, primeiro posto de pedágio e de controle sobre as pessoas que por lá passavam. Passaram também figuras ilustres, de espíritos libertários, como Tiradentes, Duque de Caxias, etc.

Esta iniciativa do HA-MB tem grande apelo social e democrático (de ouvir a periferia), pois nasceu a partir de uma pergunta de uma paciente de um bairro pobre de Juiz de Fora atendida na Clínica Antroposófica Vivenda Sant´Anna pelo autor: "Estamos precisando de um hospital antroposófico. Por que o Sr. não faz um?" Com esta pergunta, o autor foi procurar Michaela Gloeckler, na Suiça, onde ambos tiveram uma conversa sobre essa iniciativa. Dela veio a promessa de ajuda financeira, desde que se cumprissem dois pré-requisitos: Conseguir doação de um terreno do município e uma verba inicial do Estado para a construção. Para isso foi preciso constituir uma associação beneficente, sem fins lucrativos, que pudesse albergar este empreendimento. Pessoas simples dos bairros Barreira do Triunfo e de Benfica participaram da primeira diretoria, em 2004. Por 3 anos procurávamos a prefeitura de Juiz de Fora, na tentativa de uma audiência com o prefeito, sempre negada. O máximo que se conseguiu foi um terreno em Juiz de Fora, no bairro Benfica, onde havia sido um lixão. Paralelamente todos os médicos antroposóficos de Juiz de Fora foram convidados para discutir essa idéia. Por dois anos reuníamo-nos quase semanalmente, até que no terceiro ano já mostrávamos cansaço e decepção, por não conseguirmos realizar nosso intento. Foi quando o autor quiz finalizar esta iniciativa e pediu a Roberto Dilly, historiador, diretor do Museu do Banco Crédito Real e nosso consultor, para finalizar a Associação. Este, pelo contrário, não havia desistido da idéia, por considerar que a medicina precisava ser "humanizada" pela nossa forma de pensar e de atuar.

Fomos conversar com o jovem prefeito de Matias Barbosa, que inclusive é paciente da medicina antroposófica. A cidade não possui hospital nem maternidade. Os matienses não nascem em Matias, mas em Juiz de Fora. Fomos acolhidos e logo recebemos um belo terreno para este empreendimento (50.000 m2 no Bairro Monte Alegre). Inclusive uma equipe da Fundação Mahle esteve aqui por duas vezes para conhecer in loco este projeto inédito no Brasil. Só precisávamos solicitar ao Secretário de Saúde do Estado a verba para isso. Este inclusive é nosso paciente e quase todo seu gabinete conhece a medicina antroposófica (inclusive uma pessoa é médica antroposófica em BH). Finalmente recebemos o sinal verde do Secretário, no final do ano 2007 para que, em 2 meses, cumpríssemos todo ritual da burocracia estatal: Anvisa, Auditoria, Gerência de Convênios, utilidade pública, projeto arquitetônico, orçamentos, planilhas, etc. Tivemos que correr contra o tempo, pois talvez esta seria a única chance de termos as ajudas do município e do Estado. Mesmo com uma verba que só contemple um terço de um primeiro módulo, aceitamos sem pestanejar, confiantes na ajuda complementar da Michaela Gloeckler. E não foi a toa que ela se disponibilizou a vir aqui, com todas as dificuldades de entremeio. Foi o reconhecimento que precisávamos ter: A Seção Médica do Goetheanum reconhece o nosso esforço.

Portanto, nesta segunda-feira vamos começar a construção, pois a SES-MG só libera a verba fracionada, se apresentarmos comprovação documental da construção, mensalmente, em tempo pré-determinado. Esta forma de crescimento modular foi exigência da SES-MG. Outros módulos serão: bloco de internação para 100 leitos, centros cirúrgico/UTI/obstétrico, centro de exames de imagens (US, RX, TM, RM, etc - a ser terceirizado) e atende perfeitamente às nossas necessidades, pois precisamos formar profissionais da medicina, da enfermagem e da odontologia antroposóficas, nos nossos dois cursos de formação, em Juiz de Fora e em Petrópolis, cidades que abraçam Matias Barbosa, nesta Estrada Real. Assim abraçamos o HA-MB, como centro geodésico, que se tornará o primeiro "hospital-escola" da medicina antroposófica em solo brasileiro.

Como o HA-MB entrará em atividade somente no ano que vem e a população não conhece nosso trabalho, estaremos atuando estrategicamente e criando demanda, no "Ambulatório Ita Wegman", de Matias Barbosa, criado pela nossa colega odontóloga Letícia Malta que, com seus próprios recursos, reformou a garagem de seu consultório na cidade e colocou-o à disposição dos nossos alunos de medicina. Estes, apesar de terem terminado o curso, continuarão por mais um ano, como monitores dos novos que estão chegando e atendendo à classe mais simples da cidade de Matias. Só nos falta o Laboratório Weleda nos acompanhar nesta empreitada, que é detodos nós.

Abraços cordiais,

Antonio Marques
Presidente da Associação Antroposófica Estrada Real (AAER)
vivenda@acessa.com

Revisão: V.W. Setzer
Última versão: 17/3/08


Vínculos:

Matéria sobre o HA-MB publicada no jornal Extra! da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora

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