Edição atualizada em 25 de junho de 2026
Edição atualizada em 25 de junho de 2026
“Conhece a ti mesmo, conhece teu povo através dos espíritos que atuaram na sua formação e, passando por esse ponto estreito, procura chegar a uma compreensão universal. Esse é o nosso grande desafio."
Ute Craemer, Na procura da alma do povo brasileiro
(Compilado pelo Grupo Pindorama | 1. ed. São Paulo: Barany, 2014)
Queridas e queridos leitores
Para esta edição da revista Ecos seguimos caminhando pelo tema alma humana, em sua complexidade de descrição e de estabelecimento de fronteiras, explorando alguns de seus aspectos — os matizes da alma brasileira em suas diferentes expressões e manifestações.
Apresentamos o mosaico formado pelos autores a partir de suas experiências pessoais e profissionais, relatos de vivências e pesquisas que retratam um caminho individual, e por essa mesma razão podem trazer luz aos desafios da contemporaneidade, na medida em que configuram uma possibilidade de resposta, uma ação possível em meio a um mundo de incertezas, contradições, polaridades e transformações rápidas — só para citar alguns exemplos desses tempos fragmentados onde a ruptura parece ser a solução para as mais diferentes situações.
Deixamos algumas perguntas: qual seria a nossa contribuição no contexto global? Qual o caminho trilhar a partir das necessidades atuais da era da consciência? Como olhar para as transformações necessárias à evolução do ser humano a partir da nossa realidade e, ao mesmo tempo, transcendendo os limites geográficos e antropológicos?
Que esses ‘ensaios de possibilidades’ sirvam para instigar e provocar reflexões necessárias para a construção do futuro da sociedade brasileira e, quem sabe, também da humanidade.
Boa leitura!
Com os cumprimentos da equipe editorial
Sonia A.S. Teixeira
Diretora Social e de Comunicação da Sociedade Antroposófica no Brasil
Agradecemos a disponibilidade e a dedicação dos membros e amigos da Sociedade Antroposófica que contribuíram para esta edição.
Equipe Editorial e Projeto Gráfico: Sonia A.S. Teixeira, Beatriz Grellet, Lin Nogueira e Tarsila Oliveira
Contato: comunicacao@sab.org.br
A alma brasileira
por Seção de Jovens
A alma brasileira foi formada pelo violento encontro de três grandes culturas, a dos povos originários, dos povos africanos e dos europeus.
Nesse sentido, a Seção de Jovens se apresenta como um espaço de reflexão sobre os modos de vida que não se prendam ao eurocentrismo e resgatem e celebrem nossa herança dos povos originários e africanos de maneira criativa e inovadora, sem perder contato com a tradição e essência antroposófica.
O posicionamento de autoafirmação e autonomia que orienta a Seção de Jovens, vem dialogando com aquilo que Antônio Bispo dos Santos ou Nego Bispo denomina de contracolonialidade. Trata-se de um movimento que busca romper com lógicas centralizadoras e coloniais, valorizando os saberes, práticas e formas de organização construídas a partir dos territórios e das experiências comunitárias brasileiras.
Essa reflexão ganha força ao confluir as contribuições de Nego Bispo aos princípios da antroposofia, especialmente na busca por caminhos que integrem consciência, espiritualidade, saúde e ação coletiva.
A vida contemporânea ocidental nos aponta para uma visão de mundo que separa os seres humanos da natureza, enquanto os povos tradicionais brasileiros constroem relações de coexistência e pertencimento com o ambiente em que vivem.
“Quando criança, reproduzia em suas brincadeiras as atividades realizadas pelos mais velhos no engenho, produzindo simbolicamente aquilo que observava no trabalho comunitário” diz Nego Bispo. Essa perspectiva, suscita reflexões importantes para a juventude: como fortalecer processos formativos conectados ao território? Como cultivar experiências que permitam aos jovens aprender com a vida comunitária brasileira e, ao mesmo tempo, impulsionar novas formas de atuação social?
A partir dessas contribuições, torna-se possível pensar a Seção de Jovens como um espaço de germinação de práticas e pensamentos enraizados na realidade da alma brasileira, nesse processo de valorização dos saberes locais, da autonomia comunitária e das múltiplas formas de aprender e construir o mundo. Trata-se de fortalecer uma juventude conectada ao seu território, capaz de dialogar e conciliar diferentes tradições de conhecimento e de cultivar formas de vida comprometidas com a coletividade, a diversidade e o cuidado com a Terra.
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Texto concebido por três integrantes da Seção de Jovens do Brasil: Julia Vilas Boas, Yuri Cetra e Ana Clara Marcomini. Vindos de diferentes regiões do país e de distintas áreas de formação. Júlia, de Salvador (BA), dedica-se aos estudos de Geografia; Yuri, do Guarujá (SP), é cineasta e estudante de História; e Ana Clara, de Belo Horizonte (MG), em formação na área de Artes Visuais.
Colagem digital realizada por Laila Morais e Bruna Pereira, idealizadoras da identidade visual do Encontro de Juventudes Confluências, previsto para ocorrer em novembro de 2026, na cidade de Salvador (BA).
Sementes para uma contribuição ética e estética à Cultura
contemporânea a partir de um impulso eurítmico brasileiro
por Marília Barreto
Quando, no final dos anos 1980, um grupo de jovens brasileiros recém formados na arte da Euritmia na Europa retornava ao Brasil, com a missão de construir nestas terras uma euritmia com caráter, conteúdo e temperamento brasileiro [...] LEIA +
Tarsila do Amaral e a Alma Brasileira
A arte de tornar visível a cultura de um povo
por Roberta Henriette
Falar de Tarsila do Amaral é falar de um Brasil que não se encontra apenas nos livros de História, mas que pulsa nas cores, nas formas e nas contradições de sua própria existência [...] LEIA +
Diálogos sobre a Alma Brasileira através da Antroposofia,
da Ancestralidade Tupi-Guarani e do Legado Iorubá
por Marli Aparecida Pereira
Refletir sobre a alma brasileira exige um olhar plural. Não se trata de buscar uma definição única e definitiva, mas de abrir caminhos para compreender uma identidade em permanente movimento [...] LEIA +
Imaginações esotéricas sobre os encontros e desencontros nas terras
do Brasil em 1500: Templários, Rosacruzes e Povos Originários
por Paulo Vicente
Ao traçarmos uma linha do tempo imaginativa espiritual e filosófica entre a Ordem dos Templários (séculos XII-XIV) e os Povos Originários da América do Sul [...] LEIA +
Homenagem a Guimarães Rosa
por Claudio Bertalot
João Guimarães Rosa é uma dessas figuras, expoentes da cultura universal, que nascem no lugar certo, no tempo certo, a quem se deu o nome certo e que chegam sabendo a que vieram [...] LEIA +
Registro do espetáculo de Euritmia Homenagem a Guimarães Rosa, apresentado no Seminário de cristologia que ocorreu em junho de 2026, no Espaço Cultural Rudolf Steiner.
(Acervo fotográfico da Sociedade Antroposófica no Brasil)
“Trouxe tanto este dinheiro
o quanto, no meu surrão,
p’ra comprar o fim do mundo
no meio do Chapadão.
Urucuia – rio bravo
cantando à minha feição:
é o dizer das claras águas
que turvam na perdição.
Vida é sorte perigosa
passada na obrigação:
toda noite é rio-abaixo,
todo dia é escuridão...”
Criação do Riobaldo, Grande Sertão: veredas
João Guimarães Rosa