Edição atualizada em 19 de março de 2026
Edição atualizada em 19 de março de 2026
“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada. O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. Viver é muito perigoso; e não é não. Nem sei explicar estas coisas. Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.”
João Guimarães Rosa (1908-1967), trecho do romance Grande Sertão Veredas
Queridas e queridos leitores,
Iniciamos um novo ciclo anual da revista Ecos e para definir qual a imagem que permearia toda a edição, fomos inspirados pelo texto de João Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas – "(...) a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta."
O caminho escolhido foi olhar para a dinâmica da alma humana – o inspirar e expirar, a consciência e inconsciência, estar no mundo e estar em si próprio, atividade e pausa; vivenciar a luz e a escuridão, os sons e o silêncio. Essas também são qualidades que encontramos no mundo em que o ser humano habita e nos ciclos da natureza: alternância rítmica de expansão e contração. Esse olhar foi ampliado pela percepção das relações entre o mundo físico e o mundo espiritual, que permeiam tudo o que nos rodeia.
Fica o convite para vivenciar os ritmos da alma por meio de diferentes linguagens. Apreciem o que foi preparado por colaboradores, que se expressam por meio de palavras, gestos e imagens, a partir da perspectiva de suas experiências pessoais e profissionais.
Boa leitura!
Com os cumprimentos da equipe editorial
Sonia A.S. Teixeira
Diretora Social e de Comunicação da Sociedade Antroposófica no Brasil
Agradecemos a disponibilidade e a dedicação dos membros e amigos da Sociedade Antroposófica que contribuíram para esta edição.
Equipe Editorial e Projeto Gráfico: Sonia A.S. Teixeira, Beatriz Grellet, Lin Nogueira e Tarsila Oliveira
Contato: comunicacao@sab.org.br
Viver de acordo com o coração
por Derblai Sebben
Vivemos tempos caóticos. Quantos não se sentem estraçalhados no meio de tantos compromissos, obrigações etc. Falta ordem, falta ritmo em nossas vidas.
Podemos estabelecer ritmos, ordem na vida.
Vida é ritmo. Isso é óbvio no reino vegetal. Brotar, crescer e fenecer. Nos animais, época de acasalar; momento para hibernar ou para lidar com a natureza.
Os vegetais e os animais estão presos à natureza, ou melhor à sua própria natureza.
O ser humano claramente depende de ritmos biológicos e sociais, mas se liberta dos ritmos. Pode trabalhar à noite e descansar durante o dia. Pode comer a cada hora ou ficar longos períodos em jejum. E sabemos que quanto mais caótica, arrítmica a vida, maior o desconforto e maior o adoecimento. Portanto, para sentir-se melhor e mais saudável é necessário cuidar dos ritmos.
O nosso mestre nessa empreitada será o coração. Sim, esse que levamos no peito.
Quais as qualidades, características que podemos aprender com o mestre:
acolhe, sem reservas, o sangue que vem da cabeça e o que vem do metabolismo e membros. Está totalmente aberto ao que é pensado, mas também ao que desejamos;
analisa as características do sangue; “saboreia” o sangue. É sensível ao que aconteceu nos órgãos e por isso distribui, envia o sangue com qualidades necessárias a cada órgão do corpo;
doa parte do sangue que poderia usar para suas próprias necessidades metabólicas.
Reconhecemos então, como essas qualidades já pulsam em nosso peito:
abertura, sensibilidade à própria vida e distribuição, doação.
Cultivar vida rítmica é viver de acordo com o coração. Isso é uma necessidade urgente em nossos tempos.
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Derblai Sebben | Médico e estudioso do fenômeno humano, busca compreender a saúde não apenas como ausência de doença, mas como expressão de um processo interior de desenvolvimento. Seu trabalho integra a antroposofia ao estudo da neurociência e das ciências cognitivas, procurando articular experiência subjetiva e fundamentação científica na compreensão do adoecer e do cuidar.
Mais sobre Derblai Sebben, clique aqui
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Monica Winnubst | Mestre em neurologia e neurociências – UNIFESP; especialista em terapia médica artística – Emerald Foundation. Fundadora do Instituto Violeta e responsável pela Formação Violeta que ensina os princípios Luz, Cor e Escuridão propostos por Liane Collot d`Herbois.
LavAnda`s | velado em aquarela | 45cm x 35cm
Contatos: ivioletaas@gmail.com ou monica@atelierpedraemetal.com.br
LavAnda`s, de Monica Winnubst
O ritmo no processo social
por Mariangela Paiva
Na música, a forma como os silêncios e os diferentes sons se organizam no tempo revela o ritmo. É a alternância desses elementos, desses silêncios e sons em períodos determinados que cria padrões que envolvem expansão e contração [...] LEIA +
O Portal da Iniciação
por Luis Augusto Comassetto
A experiência que a atmosfera desta época do ano pode evocar em nossa alma, quando estamos atentos aos ritmos da natureza, convida a um estado de escuta e recolhimento [...] LEIA +
Gathering - Expandido nossa comunidade
por Seção de Jovens (em vídeo)
O Gathering é um encontro internacional de todos os grupos da Seção de Jovens espalhados pelo mundo. Durante uma semana, trabalhamos juntos em projetos, estudamos juntos e nos debruçamos sobre os caminhos da juventude em nossa época. ASSISTA AO VÍDEO
O Caminho Interior
por Marcia Grechi Della Negra
Entramos no terceiro mês do ano, março se anuncia e para nós que vivemos no hemisfério sul, as “águas de março, é o fim da canseira, é o pé, é o chão, é a marcha estradeira”. (Jobin 1972). O verão vai terminando e o outono vai chegando de mansinho [...] LEIA +
Verão no Hemisfério Sul
por Isabel C. F. Schievenin
É verão aqui. O sol intenso mostra as cores da natureza que é tão intensa e vibrante, mas em poucas horas nuvens pesadas, as cúmulonimbus se impõem poderosamente, o céu se fecha à luz e raios, trovões e muita água desce do céu [...] LEIA +
Espaço Interior
por Nana Sophia (em vídeo)
Contemplação eurítmica do movimento da alma na época do outono. ASSISTA AO VÍDEO
Reflexões
por Mayra Aquino Ferreira
Quando recebi o pedido de uma imagem que representasse a contração, a expansão ou o equilíbrio para a matéria na revista, claro, fiquei honrada, mas, ao mesmo tempo tive um momento de insegurança. Estava saindo do módulo de “luz e escuridão” na pós-graduação em Artes e Pedagogia Waldorf na Faculdade Rudolf Steiner, claramente não fui capaz de pensar em nada que não fosse trabalhar com carvão.
Fiz, com isso, minha primeira imagem, foi como minha primeira impressão, e como todas as primeiras impressões, bem superficial. A partir daí, tive condição de meditar sobre estes conceitos e aplicá-los no papel. Trabalhei até o momento de encontrar um equilíbrio interno, não na forma, mas que internamente respondesse aos meus anseios, questionamentos e inquietações perante o tema.
Voltei a pergunta:
Esta imagem é mais contração, expansão ou equilíbrio?
Não conseguia chegar em nenhuma definição, muitos pontos de vista me perpassavam e eu encontrava argumentos válidos para todos. Fui fazer uma pesquisa de campo.
Conversando livremente com amigos, colegas e pessoas fora do círculo de conhecedores da antroposofia, propositalmente mostrava-lhes a imagem e perguntava:
Para você, esta imagem representa expansão, contração ou equilíbrio?
Eis minha surpresa, ao perceber que nenhuma das alternativas obteve maioridade de voto. Isso me intrigou, mas ao analisar as respostas, percebi que a imagem se conecta à alma, portanto ela expressa o estado de alma do indivíduo questionado.
Com isso, convido vocês, caros leitores a se questionarem internamente:
“Quando observo meditativamente a imagem, onde me encontro e principalmente, qual será o próximo passo?”
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Mayra Aquino Ferreira | Arquiteta, Aconselhadora Biográfica e Terapeuta Artistica (RTA 102)
Contatos: (11) 943934277 ou mayraquino@gmail.com
O indivíduo questionado, de Mayra Aquino Ferreira